quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Prólogo

Eu tenho uma mania esquisita.

Na verdade, tenho várias, mas essa é particularmente estranha: toda vez que inicio um novo livro, releio a primeira frase algumas vezes. Antigamente, eu dizia à mim mesma que era só um jeito de assimilar melhor o novo mundo em que eu estava rompendo a linha de chegada e adentrando sem pudor, mas esta teoria já não me convence mais. Hoje penso diferente, e não me lembro o momento exato no qual deixei de pensar como antes, mas acredito que possuo um caso clinicamente irreversível de sonhar.

Esse aspecto crítico de minha personalidade me faz imaginar por minutos a fio como o autor iniciou aquilo que seria seu filho pelos próximos meses (ou quem sabe anos?). Por que ele escolheu aquele verbo? Por que não apresentou o personagem logo? Será que ele sempre quis começar com aquela sentença ou a refez até a exaustão?